06/02/2011

Dentinhos que mordem

A professora Cristiane desenvolveu um trabalho para reduzir as mordidas entre seus alunos, e alcançou bons resultados! Veja como ela lidou com essa questão que é realidade em salas de Educação Infantil




Objetivos:
Entender por que as crianças mordem
Saber administrar bem conflitos gerados pelas mordidas
Criar uma rotina capaz de reduzir a agressividade das crianças e um ambiente gerador de afeto
Aproximar as famílias da escola reduzindo a tensão gerada pelas mordidas






Em 2009, Cristiane Pereira de Souza Garcia, de Jateí, Mato Grosso do Sul, deixou a coordenação para assumir uma sala de aula na creche do Sistema Aprende Brasil de Ensino (SABE), do Grupo Positivo. Apesar de sempre ter ajudado professores a administrarem o conflito das mordidas em sala de aula, nunca havia lidado com ele na prática. Até que chegou a sua vez. “O ano mal havia começado e eu já me deparava com essa questão. Percebi que o melhor caminho seria entender esse comportamento das crianças, para poder ajudá-las e também tranquilizar os pais”, conta. E foi assim que Cristiane começou a estudar a fundo o assunto. “Pesquisando, eu constatei que mordidas são reações naturais da criança de até 2 anos e meio, por meio das quais elas procuram extravasar desejos, anseios, se expressar e aliviar o stress e a irritação, até porque eles ainda não têm repertório suficiente de vocabulário para fazer isso usando a fala.” Cristiane levou em consideração também o ambiente que estava sendo oferecido aos alunos. “Como nossa unidade passava por reformas, estávamos trabalhando em uma casa improvisada, com a maioria dos ambientes fechados, e pude notar que eles contribuíam para gerar mais agressividade nas crianças”, acrescenta. Com suas observações e informações, a educadora pôde traçar estratégias de trabalho e atividades para todo o ano letivo, sempre com a preocupação de variar bastante a rotina, evitando dar chance ao surgimento das situações de conflito. Leia mais a seguir.

"Com o trabalho realizado ao longo do ano, as ocorrências de mordidas diminuíram muito, mas não cessaram totalmente, e isso já era esperado. Afinal, morder é uma atitude natural dessa fase do desenvolvimento, e temos de respeitar isso. O importante é o professor criar um ambiente de afeto, conhecer bem seus alunos e saber administrar o espaço oferecido aos pequenos."
Cristiane Pereira de Souza Garcia, professora na creche do Sistema Aprende Brasil de Ensino (SABE)

Atendimento personalizado
As ocorrências de mordidas entre crianças rapidamente trazem os pais à escola. Os pais da criança mordida vêm indignados com a marquinha que encontraram em seu filho. Os da criança que mordeu ficam preocupados com o seu comportamento, com a criança receber algum rótulo etc. Para amenizar essa tensão e fazer um diagnóstico dos alunos, Cristiane conversou isoladamente com cada família envolvida, sondando o convívio familiar, se a criança mordia em casa, se ficava muito sozinha, se tinha acabado de ganhar um irmãozinho etc. “Com um diagnóstico dos alunos, eu me senti mais segura para lidar com a situação”.


Aprendendo a dividir
Uma ação pensada pela Creche Tia Alzira, onde Cristiane leciona, foi criar o Dia da Família na escola, com o intuito de semear alguns valores na prática, como a importância da troca, da amizade e do carinho pelo próximo. Segundo a educadora, um dos motivos da mordida é justamente a criança querer o que está com o colega, e ainda não saber dividir. Neste dia, Cristiane distribuiu informativos, conversou com os pais sobre a fase oral da criança e sobre outros motivos que podem levá-la a morder e propôs atividades artísticas coletivas, onde todos dividiam materiais, brinquedos e atuavam num ambiente de afeto.

Fase oral
Segundo o estudioso da educação Piaget, a boca é um instrumento de descoberta importantíssimo para a criança de até 2 anos. Ela a usa para se alimentar, sentir prazer e também para se defender. E a mordida é uma forma de defesa da criança. Todavia, embora saibamos que essas reações, mais comuns em algumas crianças do que em outras, não representem necessariamente a constituição de um adulto violento no futuro, esse comportamento precisa ser desestimulado no dia a dia.


Estratégias para conter a mordida

Além de fornecer um ambiente de afetividade e estimular a troca entre as crianças, Cristiane preocupouse com criar uma rotina de atividades que ajudasse as crianças a se expressarem e a descarregarem suas tensões de outras maneiras. Assim, o dia a dia de sua turma ao longo de todo o ano incluiu:
Atividades de manipulação de papel, como rasgar, amassar, rasgar revistas velhas, fazer bolinhas com papel, tudo para aliviar a agressividade.
Momentos de manipulação de massinha: modelar, jogar, bater com força, esticar etc.
Exploração de diferentes texturas: Cristiane oferecia às crianças materiais como algodão, lixa, gelo e coisas moles, como mingau colorido com corante e sagu.
Atividades artísticas com guache, pincel, canetinha, oferecendo a elas telas de pintura, cartolina, papelão, papel etc.
Atividades com música, cantando, batendo palma e dançando.
Brincadeiras com água e lama no jardim. “As situações ao ar livre são essenciais para qualquer criança”, acredita Cristiane.
Muitas historinhas, contadas com fantoches e uma entonação de voz atraente e cheia de suspense.

Alunos assistem à aula de culinária e brincam com água e tinta – atividades inseridas no trabalho de redução de mordidas entre as crianças, desenvolvido pela professora Cristiane com o apoio das assistentes
Vanessa e Lilian

Reação imediata
Quando uma criança mordia o coleguinha, Cristiane se posicionava imediatamente. “Não se trata de inferiorizar quem mordeu diante dos outros, rotular de mordedor ou fazer coisa parecida. Mas é preciso se colocar na altura da criança e conversar em tom sério e com a voz segura, mostrando que a atitude dela não foi legal e que você espera que não se repita”, aconselha.

A criança morde quando...
Quer algo que está na mão do amiguinho e ele se recusa a dar;
Precisa aliviar alguma angústia ou tensão;
Está entediada em determinada situação;
Quer chamar a atenção do adulto;
Precisa descobrir ou explorar alguma sensação (nesse caso morde objetos, brinquedos etc.);
Está com ciúmes.

FONTE: REVISTA GUIA PRÁTICO PARA PROFESSORES DE EDUCAÇÃO INFANTIL

http://revistaguiainfantil.uol.com.br/professores-atividades/87/artigo181541-1.asp

Um comentário:

  1. oi florzinha!!!!
    tudo bem???
    o blog tá showwww...
    deixei um selinho pra vc lá no meu blog!
    passa lá pra conferir!!!
    bjs

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